Lauro Ernesto Frota, 53 anos, é quase uma lenda na região de Serra Pelada, no Sul no Pará. Maranhense, chegou ao local em 1980 para trabalhar na antiga cava, que foi o primeiro garimpo artesanal aberto no local. Foi dono de 22 barrancos no garimpo, mas perdeu tudo quando o governo federal extinguiu as atividades no local, em 1992.
Acordo da cooperativa local com uma empresa canadense deverá dar início em 2012 à extração mecanizada de minério em Serra Pelada, mas Frota é um dos que ainda resistem, na tentativa de conseguir achar ouro por meio do garimpo artesanal.
Em 17 e 18 de agosto, o G1 esteve em Serra Pelada e mostra em uma série de reportagens o projeto e a estrutura da nova mina, o cotidiano da localidade e a esperança dos que ainda não desistiram do sonho de encontrar ouro.
Em 2003, Lauro Frota recebeu a visita de um “amigo”, que trouxe um aparelho que, segundo ele, indicou a presença de ouro no terreno onde está instalada sua casa, na vila de Serra Pelada.
Desde então, Frota cava manualmente um buraco próximo à cozinha. O buraco já tem 84 metros de profundidade. Para evitar desmoronamento, ele utiliza pedaços de madeira como forma de contenção da mina artesanal.
“Eu ainda não fui embora porque gosto de garimpo. Às vezes, acho que teve um engano ao dizerem que tem ouro aqui, mas agora que comecei não vou desistir”, diz o garimpeiro.
Para abrir a estreita cava, Frota conta com a ajuda de outros dois garimpeiros. Uma espécie de elevador artesanal leva os homens até o subterrâneo da cava, onde não há sistema de ventilação.
Os garimpeiros também não usam máscaras de oxigênio. A comunicação improvisada é feita por meio de um cano de PVC. Três galerias internas já foram abertas, segundo Frota, com cerca de 20 metros cada. As cavas já invadiram o espaço embaixo da sala da casa. Mas ouro, por enquanto, não foi encontrado.
“Nos tempos da cava antiga, cheguei a tirar 40 quilos de ouro. Comprei restaurante, dormitório, investi o dinheiro que ganhei em Serra Pelada aqui mesmo. Com o tempo, perdi tudo. Agora, espero ainda voltar a encontrar ouro aqui neste buraco. Desta vez, se achar ouro, não vou investir aqui. Quero sair de Serra Pelada”, afirma.
Buraco manual aberto pelo garimpeiro Lauro Frota
desde 2003, com 84 metros de profundidade (Foto:
Vianey Bentes/TV Globo)Na lamaCoberto de lama, Benedito Soares de Andrade, conhecido como "Papagaio", passa mais de oito horas por dia em um garimpo artesanal. Aos 71 anos, ele carrega diversas vezes ao dia, de segunda a sábado, cerca de 80 quilos de entulho em um carrinho de mão.
Garimpeiro artesanal, Papagaio chegou a Serra Pelada em 1984. Veio sozinho do Ceará, com a esperança de ficar rico. O garimpo manual fechou em 1992, mas ele não desistiu.
Ainda hoje, segue na busca artesanal pelo ouro de Serra Pelada, no terreno próximo ao local onde a nova mina subterrânea está sendo aberta, em parceria com a cooperativa dos Garimpeiros e a empresa canadense Colossus.