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Mostrando postagens com marcador Especial 11/09. Mostrar todas as postagens
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Dez anos após, autores de atentados estão 'enfraquecidos', afirma Obama.


País está mais seguro após o 11 de Setembro, escreveu presidente.
Democrata pediu que americanos honrem os heróis e as vítimas do ataque.

Da AFP
O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou nesta quinta-feira (8), em um artigo nla imprensa, que os autores dos atentados de 11 de setembro de 2001 não conseguiram aterrorizar o país e que atualmente estão enfraquecidos.
"Os autores desses atentados queriam nos aterrorizar, mas não conseguiram diante de nossa resistência. Hoje, nosso país está mais seguro e nossos inimigos mais frágeis", afirmou Obama no texto publicado no site do jornal "USA Today".
"Apesar de se ter feito justiça com Osama bin Laden e de a Al-Qaeda estar sendo derrotada, jamais devemos parar na tarefa de proteger nosso país", declarou ainda, quatro meses depois da eliminação do chefe da al-Qaeda em uma operação americana no Paquistão.
"Espero que, ao recordar o dia em que tentaram nos dividir, possamos reencontrar o sentido de um objetivo comum que nos uniu há dez anos", afirmou ainda, pedindo aos americanos que honrem as vítimas e os herois do 11 de setembro.
O presidente dos EUA, Barack Obama, em evento na Casa Branca nesta quarta-feira (8) (Foto: AP)O presidente dos EUA, Barack Obama, em evento na Casa Branca nesta quarta-feira (8) (Foto: AP)
"Jamais esqueceremos a lição de há dez anos: nossos desacordos pesam pouco frente ao que nos une, e quando elegemos avançar unidos, como uma família (...). Os Estados Unidos não fazem outra coisa a não ser resistir", concluiu.

Fonte: G1 Globo

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Al-Qaeda está por trás de ameaça de ataque aos EUA, diz Hillary Clinton.


Suposto ataque teria Nova York e Washington como alvos, disse diplomata.
Governo americano anunciou que está investigando as suspeitas.

Do G1, com agências internacionais
A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse nesta sexta-feira (9) que a rede terrorista da al-Qaeda está por trás dos relatos de uma possível ameaça "específica, crível, mas não confirmada" aos EUA, principalmente em Nova York e Washington.
A declaração foi feita em Washington.
A ameaça estaria ligada ao líder da al-Qaeda, Ayman al-Zawahri, afirmou uma autoridade americana à Reuters, sob anonimato. Al-al-Zawahri assumiu a liderança da rede terrorista após a morte de Bin Laden, em maio.
Mais cedo, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, havia afirmado que não há indícios evidentes de uma ameaça em Nova York ou Washington por ocasião do aniversário dos atentados, mas confirmou que as autoridades investigam um eventual ataque com carro-bomba.
Policiais da divisão antiterrorismo de Nova York vistoriam carros nesta sexta-feira (9) (Foto: AP)Policiais da divisão antiterrorismo de Nova York vistoriam carros nesta sexta-feira (9) (Foto: AP)
"Não temos indícios evidentes, mas falamos do uso de um carro-bomba", disse Biden ao canal ABC.
"Fomos informados por uma fonte confiável de que existia um plano para fazer entrar nos Estados Unidos pessoas que executariam o plano, mas no momento não temos confirmação", completou.
"Recordem que encontramos documentos durante o ataque contra Osama bin Laden que indicavam que ele estava interessado em um ataque no dia 11 de setembro", destacou Biden.
Segundo vários meios de comunicação americanos, a ameaça teria como alvo Nova York ou Washington, duas cidades afetadas pelos ataque executados em 2001 pela rede terrorisrta da al-Qaeda, que deixaram quase 3.000 mortos.
A informação levou o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, a anunciar um reforço do número de policiais na cidade.
Fonte: g1.globo.com

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Afeganistão continua muito pobre dez anos após fim do regime Talibã.


Cabul está caindo aos pedaços: tem cinco milhões de pessoas e uma estrutura para 500 mil. A maioria das estradas ainda é de terra, o que ajuda os terroristas.

Há dez anos, a atenção de todo o mundo se voltou para um país pobre da Ásia: o Afeganistão, onde o terrorista Osama Bin Laden se abrigava, com o apoio do governo. Na época, o país era comandado pelo grupo Talibã, que impunha uma ditadura político-religiosa. As leis eram frutos da interpretação rigorosa do livro sagrado dos muçulmanos.
Menos de um mês após os ataques de 11 de setembro, os Estados Unidos e outras potências ocidentais invadiram o país. Na quarta reportagem da série sobre os 10 anos dos atentados, os enviados especiais Marcos Uchôa e Edu Bernades mostram como está, hoje, o Afeganistão.
Cabul, a capital do Afeganistão, é completamente cercada de morros. São cheios de casas muito pobres de gente que veio para a cidade à procura de trabalho e também de segurança. Muitos são refugiados que viveram anos no Paquistão e no Irã. Tinham fugido de todas as guerras que o Afeganistão sofreu, mais ou menos sem parar, nos últimos 32 anos.
Cabul tem cinco milhões de pessoas, mas uma estrutura para 500 mil. Está caindo aos pedaços, e, nas últimas décadas, muita gente deu um empurrãozinho. Entre elas, as duas maiores superpotências do século XX.
Um afegão conhece bem essa historia. O homem ilustra bem o que aconteceu no Afeganistão: ele estudou em uma universidade em Moscou, da época em que os russos mandavam na cidade. Agora trabalha no Ministério da Defesa com os americanos, mas fala muito mais russo do que inglês.
É no centro da cidade que todos os afegãos se encontram. É uma multidão. Cruza-se com soldados e policiais, mas há muito tempo que os estrangeiros não botam mais os pés no lugar. No entanto, a gentileza é constante. Do famoso chá, de bom tom oferecer e claro aceitar, ao pai que mostra a pombinha que comprou para o filho.
Você compra telefone no meio da rua, troca dinheiro no meio da rua e vê uma variedade incrível de produtos. Cada homem é uma loja ambulante. Os talibãs proibiam praticamente tudo: música, televisão. Mas tinha uma coisa que eles adoravam: perfume.
Tudo é tão atrasado que o sorvete é misturado manualmente, em uma quase dança. No churrasquinho de lei de todo mercado, um vendedor mostra quem manda: o governo americano derrubou o Talibã do poder e hoje recebe uma homenagem indireta.
No Mercado Bush, em homenagem ao ex-presidente americano, várias mercadorias desviadas das bases militares. Os afegãos compram nele produtos de melhor qualidade. Tem até os pacotes de comida que os soldados americanos usam.
Para abrir uma lojinha, a preferência é para quem lutou contra o Talibã. Um homem já se aposentou, era um oficial. Diz que mesmo que as tropas americanas forem embora, ninguém vai aceitar mais o Talibã. Alguns americanos vão embora do mercado e esse ano começam, devagar, a retirar suas tropas.

Mas quase não se vê os americanos. Os aviões militares não param e eles praticamente só se deslocam pelo ar. A insegurança no Afeganistão empurrou todos estrangeiros para os aviões.
No interior, os soldados só andam em comboios, mantendo uma distância grande de um veículo para o outro, para evitar que uma explosão acerte mais de um carro.

O Afeganistão é muito pobre e tem poucas estradas. A maioria é de terra, o que é muito bom para o Talibã. Quando um estrangeiro passa, as pessoas veem e sabem que ele vai ter que voltar pelo mesmo caminho. Isso dá tempo para o Talibã cavar, preparar minas e explosivos. A grande maioria dos soldados americanos tem morrido assim, mesmo em carros blindados.

A província de Bamiyan, mais tranquila, é famosa pelos enormes budas explodidos pelo Talibã. Deixou um vazio no local e na cidade, que não recebe turistas há muito tempo.
Conversamos com um pastor que conta que, por causa da seca, vai ter que vender todo o rebanho dele em Cabul. Serão entre cinco e seis dias andando até a cidade. Ele ri e admite que está preocupado com a estrada, que ficou muito perigosa.
A falta d’água, algo tão básico, afeta todo mundo. O governo prometeu abrir mais poços, mas não fez nada ele diz. Com tanto dinheiro gasto para lutar contra o Talibã, falta para as obras mínimas de infraestrutura.
Pegar água no poço é uma ocupação diária e as crianças, desde muito pequenas, se ocupam disso. É trabalho, só vira diversão quando um estrangeiro estranho aparece para ajudar.
O Afeganistão, ao longo de séculos, já foi invadido muitas vezes. Entrar é fácil, ficar é difícil. É curioso que, no Afeganistão, tudo, de certa maneira, lembra guerra: as fortalezas, o brinquedo de criança com o formato de aviões bombardeiros. Isso em um país onde a média de expectativa de vida é de apenas 44 anos e meio, uma das mais baixas do mundo.
Para os mais velhos que já sofreram tanto, para os mais jovens que ainda vão sofrer, a história de guerras do Afeganistão é como um carrossel: roda, roda, e não sai do lugar.
Fonte: http://www.g1.globo.com/

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Jornalistas relembram cobertura dos ataques de 11 de Setembro.


Repórteres e âncoras falam sobre as reportagens produzidas há dez anos.
Bonner e Fátima contam bastidores de edição do Jornal Nacional.

Do G1, em São Paulo
Dez anos depois do atentado de 11 de Setembro, nos Estados Unidos, repórteres e âncoras da Rede Globo contam como foi trabalhar na cobertura dos ataques. Jornalistas como César Tralli, Jorge Pontual, Edney Silvestre, Zileide Silva e Luís Fernando Silva Pinto comentam as reportagens feitas em Nova York e Washington, alvos dos ataques. Carlos Nascimento fala da cobertura ao vivo dos ataques.
De Londres, Sandra Annenberg, Marcos Uchôa e Marcos Losekann relembram a repercussão do atentado pelo mundo. E o cinegrafista Orlando Moreira descreve as imagens que registrou durante a cobertura.


Já William Bonner e Fátima Bernardes falam da edição histórica do Jornal Nacional, produzida naquela terça-feira.  Após os atentados, a cobertura seguiu também no Paquistão e no Afeganistão, como contam Ernesto Paglia e Sérgio Gilz.
Fonte: http://www.g1.globo.com/

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Número de americanos muçulmanos aumentou nas mesquitas após o 11/9.


A xenofobia se intalou no país e os muçulmanos sentiram necessidade de se identificar mais com suas raízes. Veja o que mudou nos últimos 10 anos.

Não se sabe quantos muçulmanos vivem nos Estados Unidos, porém, não chegam a 3% da população. Mas a atenção dada a eles é desproporcional e muitos passaram ser vistos com desconfiança desde os ataques de 11 de setembro de 2001. Muitos foram presos e perseguidos sem provas. Alguns passaram muitos anos encarcerados. Talat Hamdani, professora e mãe de um paramédico muçulmano que morreu ajudando feridos no World Trade Center e chegou a ser acusado de ser também um terrorista, afirma: "O dano sobre a xenofobia foi feito".

Muitos americanos muçulmanos não são praticantes. Mas depois do 11/09, houve um aumento no número de jovens nas mesquitas. Segundo Moustafá Bayoumi, do Brookyn College, "a razão principal é uma questão de identidade, porque há uma necessidade de nos definirmos e não deixar que sejamos definidos por outros".

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Terrorismo de 11/9 afetou o cinema e influenciou até Harry Potter.


Impacto dos atentados atingiu toda a cultura americana, diz professor.
Voldemort se tornou uma alusão a Bin Laden, defende revista dos EUA.

Do G1, em São Paulo
O ator Ralph Fiennes interpreta o Lorde Voldemort na franquia (Foto: AP)O ator Ralph Fiennes interpreta o Lorde Voldemort
na franquia "Harry Potter" (Foto: AP)
O vilão sombrio de uma série de filmes de fantasia pode ser um exemplo inusitado, mas os atentados do 11 de Setembro marcaram a mentalidade e cultura dos norte-americanos de forma tão profunda que até mesmo Voldemort, o inimigo do bruxo Harry Potter, pode ser interpretado como um símbolo do terrorismo.
A comparação apareceu recentemente na "Variety" uma das principais publicações de cinema do mundo, e mencionava o fato de Voldemort ter atormentado a vida de Harry Potter nos filmes por dez anos, de 2001 a 2011, mesmo tempo que Osama bin Laden assombrou os Estados Unidos com a ameaça de terrorismo.

"Os atentados terroristas do 11 de Setembro levaram a cultura política dos Estados Unidos a assimilarem a probabilidade de atos futuros de assassinatos em massa", explica Stephen Prince, professor de cinema da universidade Virginia Tech. Prince avaliou as obras da última década no livro “Firestorm: American Film in the Age of Terrorism” (Tempestade de fogo: filmes americanos na era do terrorismo), em que trata dos efeitos de atentados no cinema.A revista fazia um levantamento dos efeitos do terrorismo no cinema hollywoodiano. Além dos filmes que tratam especificamente de guerra e terrorismo, como o recente ganhador do Oscar "Guerra ao Terror", e de obras que retratam exatamente os atentados de 11 de Setembro, como "Voo 93", pesquisadores alegam que os efeitos vão mais longe. Seja em filmes de herois, como "Homem-Aranha" e "Homem de ferro", ou em fitas de cinema-catástrofe, como "Cloverfield" e "Guerra dos Mundos", a ideia do terrorismo está sempre presente.
Poesia
“Para quem viveu aquele dia, as marcas nunca vão se apagar. Desenvolvemos a capacidade de imaginar o horrível depois de 11/9, porque o horrível acontece”, disse o poeta Lawrence Joseph, em entrevista à Globo News.
Segundo ele, o que o 11 de setembro realmente significou para quem o viveu é algo que já foi esquecido, por causa da postura adotada pelo governo Bush: “Ninguém queria adicionar mais violência naquele momento, e em poucos dias já enveredávamos para um próximo estágio de violência, desencadeando o poder de guerra dos Estados Unidos”.
“Pensávamos que nunca iríamos esquecer, mas 10 anos depois, os acontecimentos estão se apagando da memória individual e se transformando em memória coletiva. Está sendo recontado, recriado”, explica o professor de Assistência Social Gregory Smithsimon.
Avalanche de livros
O décimo aniversário dos atentados do 11 de setembro vem sendo objeto de inúmeras publicações, com novos livros que interpretam as consequências do fatídico dia e reedições especiais de obras como "11 de setembro" de Noam Chomsky.
Um dos mais recentes lançamentos é "After the Fall: New Yorkers Remember September 11 and the Years that Followed" (Depois da queda: os nova-iorquinos recordam o 11 de setembro e os anos que se seguiram, numa tradução livre), que fala sobre as mudanças de Nova York depois dos atentados. A obra compila entrevistas com centenas de pessoas de diferentes bairros da cidade realizadas pelo Departamento de História Oral da Universidade de Colúmbia.
Outro lançamento é "The Eleventh Day: The Full Story of 9/11 and Osama bin Laden" (O décimo-primeiro dia: a história completa do 11 de setembro e Osama bin Laden), de Anthony Summers e Robbyn Swan Drawing, que a Ballantine Books promove como "obra essencial" sobre os atentados. "Com acesso a milhares de documentos oficiais publicados recentemente, novas entrevistas e a perspectiva de uma década de investigação e reflexão, Anthony Summers e Robbyn Swan apresentam uma visão panorâmica e autorizada do 11 de setembro", comenta a editora.
Ficção e homenagensEntre as publicações, há espaço também para a ficção, por exemplo, com o romance "The Submission", de Amy Waldman, uma ex-jornalista do New York Times que imaginou o que teria acontecido se um júri encarregado de selecionar o projeto para o memorial do Marco Zero tivesse escolhido o trabalho de um arquiteto americano de religião muçulmana.
Também estão saindo pelo menos dois livros de homenagem às vítimas, entre eles "9/11: The World Speaks" (11 de setembro: o Mundo fala, numa tradução literal), que inclui mais de 200 mil mensagens de pessoas de outros países que estiveram no Tribute WTC Visitor Center, que abriu em 2006, em frente ao local onde estavam as Torres Gêmeas.
"The Legacy Letters: Messages of Life and Hope from 9/11 Family Members" (As cartas do legado: mensagens de vida e esperança de familiares do 11 de setembro) compila as homenagens das pessoas aos que perderam a vida nos atentados.
O décimo aniversário dos ataques contra as Torres Gêmeas e o Pentágono serve também para a reedição de obras consideradas fundamentais.Um desses é "The 9/11 Commission Report" (O Relatório da Comissão do 11 de Setembro), lançado pela Comissão Nacional americana de Ataques Terroristas em 2004 e que, em seu momento, fez parte da lista de best-sellers do New York Times. A nova edição inclui um epílogo do diretor da Comissão, analisando as recomendações apresentadas naquele momento pelo grupo de especialistas.
Fonte: http://g1.globo.com/11-de-setembro/

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Sequestrador tentou jogar avião no Planalto 13 anos antes do 11/9.


Maranhense havia perdido o emprego e culpava o presidente da República.
Para piloto de avião sequestrado em 1988, risco no Brasil 'ainda existe'.

Tahiane StocheroDo G1, em São Paulo
Mais de uma década antes de terroristas da al-Qaeda usarem aviões como mísseis contra as torres gêmeas do World Trade Center, nos Estados Unidos, um brasileiro armado tomou um voo da Vasp com o objetivo de atingir o Palácio do Planalto, em Brasília. Desempregado, o maranhense Raimundo Nonato Alves da Conceição, de 28 anos, culpava o governo por sua situação e queria atingir o centro do poder político do país.
"O que ocorreu com o voo 375 da Vasp foi como os atentados a Nova York e Washington. O meu sequestrador tinha a mesma intenção que os terroristas, só que não conseguiu alcançar o seu objetivo. E o risco ainda existe, tanto que o 11 de Setembro ocorreu”, afirma o comandante Fernando Murilo de Lima e Silva, de 60 anos, em entrevista ao G1.
O piloto nunca vai esquecer o dia 29 de setembro de 1988, quando o Boeing 737-300 da Vasp que comandava foi sequestrado.

Durante o voo, ele viveu momentos de terror quando o maranhense, armado de um revólver calibre 32, matou seu copiloto, Salvador Evangelista. "Ele levou um tiro na cabeça quando pegou o rádio para responder a um chamado da torre de controle de Brasília", lembra Murilo. Outro copiloto, que estava na aeronave como passageiro, foi ferido ao tentar impedir a ação do criminoso. (Veja no vídeo acima reportagem do Jornal Nacional sobre o caso na época)
comandante murilo avião sequestro (Foto: José Paulo/AE)Comandante Murilo deixa hospital após ter sido 
baleado na perna no desfecho do sequestro
(Foto: José Paulo/AE)
“O meu sequestro foi um dos primeiros com aviões no país. Desde então, muita coisa mudou. Mas foi um processo lento de conscientização pela melhoria da segurança na aviação. Naquele tempo, não havia nem detectores de metais nos aeroportos”, relembra o comandante que, passados 23 anos da tragédia, continua voando como piloto de cargueiro no Rio de Janeiro.
O voo 375 da Vasp fazia o trajeto Porto Velho-Rio de Janeiro, com escala, dentre outros lugares, em Belo Horizonte, onde o maranhense entrou armado. Estavam a bordo 135 passageiros e oito tripulantes.
“A ação começou quando já estávamos sobrevoando os céus do Rio de Janeiro. Ele gritava: ‘eu quero matar o Sarney. Quero jogar o avião no Planalto!", diz o piloto. "Na época, eu não tinha ideia de que aquilo poderia ocorrer".

Após a ação, o piloto solicitou às companhias aéreas a instalação de portas blindadas na cabine de pilotagem dos aviões.

Cerco policial em Goiânia
Raimundo Nonato havia perdido o emprego em uma construtora devido à crise econômica que o país enfrentava e acreditava que a culpa era do presidente, na época José Sarney (PMDB), que governou o país entre 1985 e 1990.
Na ação, o sequestrador exigiu que o avião se dirigisse do Rio a Brasília. Como o combustível da aeronave estava acabando devido à mudança de rota, o comandante conseguiu convencer o sequestrador a pousar o Boeing em Goiânia.
“Podíamos despencar a qualquer momento. Mas ele não estava nem aí. Era doente, estava para o que desse”, acrescenta. Ao pousar em Goiânia, o avião foi cercado pela Polícia Federal, onde o sequestrador decidiu seguir para Brasília em uma aeronave de menor porte, levando o comandante como refém. 

“Ele tentou subir em um Bandeirante que estava estacionado próximo ao Boeing para fugir. Foi nessa hora que eu corri. Um agente da PF conseguiu lhe acertar no quadril, mas o sequestrador ainda teve tempo de atirar, e me acertou na perna”, relembra. O sequestrador foi baleado no quadril pelos agentes da PF e morreu no hospital de infecção, dias depois.

“Hoje, é mais difícil ocorrer um sequestro como aquele no país, acho que pode se repetir apenas em aeronaves menores, ou em aeroclubes pequenos. Os aeroportos possuem detectores de metais, mas muita coisa ainda precisa melhorar até a Copa do Mundo de 2014 para não termos nenhum risco”, acrescenta.
Sequestros durante o regime militar
Pelo levantamento do historiador Ivan Sant'Anna, houve no Brasil pelo menos dez sequestros de aeronaves, a maioria durante o regime militar.

“Na época, criminosos costumavam sequestrar aviões para fugir para Cuba. Lá, recebiam asilo e depois o avião era devolvido ao país. Para os passageiros, era como um passeio a mais, porque nunca houve nenhum ato com agressão antes do sequestro do voo 735 da Vasp”, diz Sant'Anna, que é pesquisador na área de acidentes aéreos. (No vídeo acima, passageiro relembra a calma do comandante do voo)
Hoje, diz ele, são raros casos de sequestros de aeronaves no Brasil. “Sei de casos isolados de roubos de aviões pequenos, às vezes fazendo o piloto como refém, em aeroclubes de pequeno porte, em que não há tanta segurança ou detectores de metais. Normalmente, estes aviões são usados para tráfico ou comércio ilegal”, afirma.
 O último caso de repercussão ocorreu em março de 2009, quando um homem roubou um monomotor no Aeroclube de Luziânia e acabou caindo sobre um shopping em Goiânia. O piloto, de 30 anos, e sua filha, de 5 anos, morreram.

Questionada sobre o que mudou em relação à segurança do transporte aéreo para impedir crimes e sequestros a bordo de aeronaves desde 1988, a Polícia Federal não se manifestou.

Fontehttp://g1.globo.com/11-de-setembro/

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